terça-feira, 31 de dezembro de 2013

01 Amorólogo

A prática é a mãe da teoria.
Entretanto não só de prática vive-se, precisa-se de teoria. Só assim é possível avançar dez, cem vezes mais no mesmo período de tempo. Não adianta a gente dar murro em ponta de faca até achar o lugar certo, não.

Agora eu quero ver alguém teorizar o amor. Ah, como eu quero.
Só vou ter dó da pessoa que o fizer, vai ter sofrido pra caralho. Haja amor pra amar e coração para ser quebrado, a ponto de fazer o experimento de amar.

Essa pessoa também teria meu respeito, pela insistência e persistência de cair no ciclo
encontro - paixão - entrega - fissão - dor - fossa - encontro

Haja vida pra se viver. Haja vontade de amar a si mesmo, e haja capacidade pra se doar.

Quem teorizar o amor, ah, essa figura sim terá encontrado todo o lirismo da vida e vivido cada sentimento. Porque não há nada mais submisso ou fiel que um amor, intenso ou profundo que uma paixão, nada que exija mais confiança e verdade que se entregar, nada que necessite mais coragem que largar e nada que doa mais que o fim, a fossa, o ponto final daquela história que já tava escrita e, pelo acaso do destino, se findou prematuramente.

Quem teorizar o amor, esse sim será o maior dos poetas - ou poetisas - se sobreviver pra contar. Ah, aquele a quem o amor se entregar, faça-me o favor, e me ensine a não mais amar. Poeta não sou, e poeta não quero ser. Prefiro não me arriscar, e desta roleta russa, me afastar.

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